Mesmo com a retomada econômica, estudo aponta que desemprego deve seguir em alta

Segundo estudo, prejuízo é maior para trabalhador com menor qualificação

| CORREIO DO ESTADO / RAFAELA MOREIRA


O mercado de trabalho foi diretamente impactado pela pandemia da Covid-19,  afetando principalmente os trabalhadores com menor proteção social e baixa escolaridade.

De acordo com o relatório 'Emprego em crise: Trajetórias para melhores empregos pós-Covid-19', divulgado pelo Banco Mundial, o país vai levar 'muitos anos' para se recuperar quando há perda de emprego em crises econômicas.

Conforme o levantamento, a pandemia deve provocar impactos mais significativos em trabalhadores menos qualificados, com aumento do desemprego e da informalidade e a redução dos salários, enquanto os trabalhadores com ensino superior não devem sofrer o impacto no bolso. 

Ainda segundo o Banco Mundial, as perdas de emprego duram mais para empregados com carteira assinada de setores primários, como agricultura, pecuária, pesca e extrativismo mineral.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE ), o desemprego no Brasil ficou em 14,7% no trimestre encerrado em abril e se manteve em patamar recorde, atingindo 14,8 milhões de pesso as. 

De acordo com o banco, os trabalhadores informais têm menos proteções contra efeitos de crises econômicas e, assim, a probabilidade de eles perderem o emprego é maior, independentemente da qualificação.

Já os trabalhadores com ensino superior, diz o relatório, não devem sofrer os impactos da crise no salário.

Como alternativa para tentar frear o desemprego, o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEM) foi estendido, sendo uma medida emergencial do Governo Federal.

Desde que o novo programa começou a valer, em 28 de abril, foram registrados em Mato Grosso do Sul 39,8 acordos. Na primeira etapa do programa, em 2020, a quantidade de contratos foi de 66,5 mil trabalhadores e 11 mil empresas que adotaram os acordos, conforme os dados do Ministério da Economia.

A medida permite a redução de jornada e salário e a suspensão de contratos de trabalho, garantindo ao empregado atingido por essas medidas o recebimento de um benefício custeado pelo governo federal para fazer frente à redução ou à ausência de pagamento de salário.  

No ano passado, a medida beneficiou mais de 10 milhões de trabalhadores, devido a isso, o BEm foi reeditado em abril, com a publicação da MP nº 1.045/2021. 

Na nova rodada, que começou no final de abril, já foram assinados 2,591 milhões de contratos, que abrangem 2,336 milhões de trabalhadores e 584.736 empregadores em todo País.  

De acordo com o economista Marcos Rezende, o avanço da vacinação é um indicador importante para a retomada econômica e estabilidade nos postos de trabalho, entretanto,  é preciso pensar em maneiras de estimular a criação de empregos, seja diretamente, atacando os entraves à formalização, seja indiretamente, criando um clima que atraia investimentos.

De acordo com o último relatório Focus,  a previsão média do mercado é de avanço de 5,29% do PIB neste ano, mantendo 2,10% em 2022. A atividade econômica tem sido favorecida pelo aumento da vacinação, a queda dos dados referentes à pandemia e à maior flexibilização das atividades em vários Estados.