Mulheres que venceram o câncer de mama contam a experiência em livro

Outubro é o mês da campanha de prevenção do câncer de mama

| CAARAPó ONLINE/CAROLINE CINTRA


“Viver a vida por mais que esteja difícil. Tentar viver da forma mais leve possível”. As palavras são da professora Suzana Mahmud Said, 44 anos. O intuito é incentivar mulheres que descobriram recentemente o câncer de mama. Ela foi diagnosticada com a doença em julho de 2018. Um nódulo no seio direito, que apareceu inicialmente como benigno, trouxe uma das notícias mais difíceis que ouviu na vida. No entanto, preferiu encarar o lado positivo da situação. Com otimismo, fé e apoio da família, a batalha foi vencida. A cura veio neste ano.

Suzana lembra que, ao abrir o resultado com o diagnóstico do câncer de mama em casa, os filhos dela, de 12 e 19 anos, começaram a chorar. “Foi nessa hora que percebi que quem tinha de ser forte era eu”, conta. A mãe da professora teve a mesma enfermidade aos 48 anos. Após dois anos de luta, morreu devido a uma metástase. “Quando foi a minha vez, acreditei muito no que os médicos falaram. Como descobri no início, a chance de cura era grande, e eu confiei.”

Suzana começou o tratamento e, 14 dias após a primeira sessão de quimioterapia, o cabelo começou a cair. “Ele é nossa moldura. Para nós (mulheres), representa muito poder. Ao perdê-lo, parece que as forças vão embora. Mas, para mim, foi a criação de uma personagem. Antes, fazia progressiva e chapinha o tempo todo, e, de repente, me senti livre disso tudo”, diz. Os meses com câncer a fizeram adotar uma nova rotina. “Comecei a fazer caminhada e corrida. Tinha dia em que eu esquecia a doença. Ver gente na rua ajudou na minha recuperação”, garante.

Para a gerente de vendas Suramya Soares, 40, a notícia chegou de forma dura. “O médico abriu o resultado e já avisou que eu perderia o cabelo e teria que tirar uma mama. Disse que não tinha outra forma de me contar aqui. Na hora, fiz até uma brincadeira, porque foi algo que eu não quis acreditar. Não tenho casos na família e não imaginava passar por isso.” Ela lembra que saiu da consulta passando mal. O diagnóstico saiu em 7 de fevereiro de 2018. No mês seguinte, em 13 de março, foi a primeira quimioterapia.

“O cabelo começou a cair. Quando vi aquilo, engoli o choro, mas eu não quis raspar e cortei na altura do ombro. Depois de uns dias, minha irmã apareceu careca. Ela raspou antes de mim para me incentivar. Aquilo me deu uma força tão grande. O medo era do preconceito das pessoas, mas foi tranquilo. Foi tão bom tomar banho carequinha”, brinca. Em 21 de novembro do ano passado, Suramya passou pela cirurgia de retirada da mama e, hoje, espera pelo procedimento de reconstrução do órgão. Também está curada.