“Vi meu filho por foto só”, diz mulher que perdeu o bebê ao ser esfaqueada

Esfaqueada no pescoço, Regiane Cales da Silva, 41 anos, ficou internada por um semana em estado grave

| VIVIANE OLIVEIRA / CAMPO GRANDE NEWS


Regiane agradeceu as orações, disse que está viva por milagre e falou do filho, que nasceu vivo, mas morreu horas depois (Foto: reprodução/Vídeo)

Ainda com pontos na cabeça, curativo no pescoço e se recuperando, Regiane Cales da Silva, 41 anos, que perdeu o bebê ao ser esfaqueada pelo marido, Jorge de Souza Valdez, 44 anos, no dia 10 deste mês, em Três Lagoas, distante 338 quilômetros de Campo Grande, recebeu alta na terça-feira (17), após uma semana internada no Hospital Auxiliadora.

Ela estava grávida de seis meses, sofreu parada cardiorrespiratória e, após ser reanimada pela equipe médica, foi submetida a uma cesárea de emergência. O bebê nasceu vivo, foi para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) mas morreu horas depois. Já em casa, Regiane publicou um vídeo para agradecer as orações: “Deus fez um milagre em minha vida'.

“Não podia deixar de passar aqui para agradecer as orações, vocês clamaram por mim e Deus ouviu. Eu não tenho palavras para agradecer, peço mais orações porque estou no processo de recuperação. Entrei terça-feira de madrugada ho hospital e hoje estou em casa. Eu sei o que eu passei. Não era nem para eu estar em casa, mas Deus é tão bom. Uma facada pegou no pulmão. Tirei o dreno do pulmão. Não posso falar muito tempo, eu canso', disse.

Regiane também comentou sobre o filho que nasceu vivo depois de uma cesárea de emergência, mas não resistiu. “Há um vazio pela vida do meu filho, Emanuel, que já foi enterrado. Minha mãe, meu pai e minhas filhas já enterraram ele. Vi meu filho por foto só. Vai com Deus, meu filho. Agora, vou cuidar das minhas filhas, da minha família. Quando eu puder e tiver melhor eu atendo todo mundo que quiser me ver, tá'. Assista, abaixo, ao vídeo.

Crime  - O caso aconteceu na Rua Copaíba no apartamento onde o casal vivia, com as duas filhas menores de idade do primeiro casamento da vítima. Os dois moravam juntos há pouco mais de 6 meses, segundo relatos de vizinhos à polícia. Jorge foi autuado por feminicídio na forma tentada e por aborto sem consentimento da gestante. Ele trabalhava como pedreiro, mas disse em depoimento que também era pastor na igreja “Resgatando Vidas para o Reino de Deus'.

Na semana passada, a Justiça de Mato Grosso do Sul decretou a prisão preventiva do pastor. Ao manter a prisão dele, o juiz Rodrigo Pedrini Marcos, da 1ª Vara Criminal do município, citou caso de violência doméstica cometida pelo autor no ano passado. “Verifica-se que o acusado, conforme antecedente, já vinha demonstrando a tendência de atos de violência doméstica, pois foi denunciado por ato praticado contra sua ex-companheira em fevereiro de 2019, ocasião em que disse que cortaria o pescoço da vítima, como fez no presente caso', pontuou.