Do Avaí para a Liga dos Campeões: desconhecido no Brasil, Raphinha celebra ano histórico no Rennes

Fim da temporada na França confirma equipe no torneio continental pela primeira vez, e jovem atacante brasileiro espera manter boa fase após paralisação: "É o que sempre busquei"

| GLOBOESPORTE.COM / DANIEL MUNDIM E FELIPE CURY


Em fevereiro de 2016, o Avaí vendia uma de suas grandes joias ao modesto Vitória de Guimarães, de Portugal, na tentativa de pagar o salário atrasado dos seus funcionários. O franzino Raphinha, de 19 anos, com aparelho nos dentes, sequer havia estreado no time profissional do Leão. Em maio de 2020, ele pode dizer que vai jogar a Liga dos Campeões.

A trajetória é comum a muitos jogadores brasileiros. Agora, o atacante espera ver seu nome crescer entre os torcedores de seu país natal. Com o fim precoce da temporada na França, seu clube, o Rennes, teve confirmada a melhor campanha de sua história no Campeonato Francês, com sete gols de Raphinha em 22 jogos. O time conquistou a vaga inédita na Liga dos Campeões.

– É um marco histórico no clube, mas nós, jogadores, toda a comissão, queríamos continuar o que a gente estava fazendo. Acredito que a gente estava fazendo um belo trabalho, e acho que a gente tinha condição de terminar o campeonato até melhor. A gente estava em uma fase muito boa. Seria difícil perder esse terceiro lugar – diz Raphinha, que é agenciado pelo ex-jogador Deco.

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O gaúcho chegou ao Rennes como grande contratação da temporada. O time francês pagou € 20 milhões (R$ 91 milhões, na cotação da época) ao Sporting para tirá-lo de lá. No Leão português, o atacante fez nove gols em 41 jogos em sua única temporada pelo clube, onde chegou por indicação de Jorge Jesus, que iria embora antes da contratação do brasileiro. Raphinha conquistou a Taça de Portugal e a Taça da Liga pelo time de Lisboa.

Antes, ele jogou três anos no Vitória de Guimarães, clube que o tirou do Avaí. Sem chances de jogar profissionalmente no Brasil, ele reconhece que gostaria de ter atuado mais em seu país. Mas espera aproveitar o bom momento no Rennes, mesmo que interrompido pela paralisação imposta pelo novo coronavírus.

– Isso é engraçado. Muitos dos jogadores que estão na nossa Seleção, ou até outros que são muito conhecidos, têm uma curta passagem pelos clubes brasileiros. Aqui na Europa, cada um fez seu nome, batalhou para conquistar o que conquistou.

“Eu, particularmente, queria jogar um pouco mais no Brasil. Não aconteceu, vim cedo, mas estou escrevendo minha história e espero dar muitas alegrias a todos torcedores e dirigentes que confiarem no meu trabalho', disse Raphinha.

Veja outros trechos da entrevista de Raphinha ao SporTV:

ENCERRAMENTO DA TEMPORADA

– É uma situação complicada, porque nós atletas queremos sempre estar treinando, jogando, fazendo o nosso trabalho. A gente ficar sabendo que o campeonato iria ser encerrado antes do previsto, é um pouco complicado, muita gente não esperava. É uma situação complicada que está acontecendo no mundo inteiro. O que a gente pode fazer é respeitar as autoridades e tentar fazer o melhor para isso passar logo.

INDICAÇÃO DE JORGE JESUS NO SPORTING

– Infelizmente não pude trabalhar com o Mister Jorge Jesus. Mas muitos jogadores com quem converso, que já trabalharam com ele, disseram que ele é um excelente treinador. É uma pena, não tive essa oportunidade, mas quem sabe um dia. Nãotive contato com ele, mas meu empresário teve. Me passou o que ele disse, o que ele queria,que contava comigo, para ajudar o Sporting, para me ajudar a evoluir. O fato dele ter conversado com meu empresário foi muito importante na minha escolha

Nota da redação: Jorge Jesus indicou a contratação de Raphinha para o Sporting, mas deixou o clube antes do início da temporada 2018/19, quando o brasileiro chegou ao Leão

RECONHECIMENTO

– Representa muito coisa. Sempre busquei, sempre trabalhei. Dei meu melhor. Eu sei da minha capacidade, do meu potencial. O que posso fazer é me dedicar o máximo para dar o melhor resultado possível para o clube e para mim. Confesso que estou muito feliz com a campanha que venho fazendo no Rennes até agora. Estar entre os 20 melhores do campeonato (da revista “France Football') é uma honra imensa, dividindo um pouco com os melhores. É uma honra, fico muito feliz.

FUTURO COM FIM DO FRANCÊS

– Busco continuar treinando, fazendo meus treinos, me mantendo preparado, porque sabemos que o ano que vai vir vai ser muito difícil, profissionalmente e pessoalmente. Tenho que me preparar o máximo para encarar esses desafios. Se der tudo certo, procuro ir para o Brasil, passar uns dias de férias, ver minha mãe, meu irmão. É treinar e esperar uma oportunidade de poder ir para casa.