Latino sobre roubo de carro nos EUA: 'Queria sair, pegar mulherada'

| UOL/03/04/2020 04H00


Quem não tem passado não tem história. É o que diz Latino, em entrevista exclusiva ao colunista Leo Dias. O cantor relembra histórias polêmicas e fala sobre seu novo trabalho, o clipe da música 'Lili', que estreia hoje em seu canal no YouTube e foi gravado com uma câmera de celular na casa de sua tia.

'Vocês vão dizer que estou maluco, né? Vão querer me internar, mas precisava me reinventar. Como me reinventar? Vamos gravar um clipe! Mas como gravar um clipe? Vamos usar o que a gente tem! Personagens: os amigos. Câmera: o celular. Roteiro: cabeça. E foi nascendo. Ali eu pude realmente perceber que o Lalá ficou Lelé, porque a música fala disso. Essa música é revolucionária, ela é louca', conta.

Frequentemente envolvido em polêmicas, Latino se lembra de quando foi extraditado dos Estados Unidos por roubar carros e estar com documentos ilegais: 'Fiz merda na América, roubei vários carros, eu e um amigo. A gente não tinha carro, era muito ferrado, e a gente queria pegar mulherada, queria sair, ir para a balada. Então, roubava o carro só para chegar de carrão na balada, curtir o momento e depois deixava em algum lugar. Até que um dia a gente foi pego. Descobriram que estava com a documentação ilegal e me mandaram de volta'.

O cantor fala, ainda, sobre seu relacionamento com Kelly Key, com quem teve uma filha, Suzanna. Segundo o artista, a loira o teria traído com seu atual marido, o angolano Mico Freitas: 'Eu amava muito ela. Quando você é largado, quando você é abandonado, ninguém fica feliz. E, de fato, ela preferiu uma outra pessoa. Ela foi para Angola fazer uma turnê e se apaixonou pelo Mico. Eu estava com ela na época. A gente estava brigado, mas estava junto'.

Sobre seu vício em sexo, Latino revela estar curado: 'Fui viciado real. Durante três ou quatro anos, fiz tratamento. Até tomava remédio para inibir o tesão, e isso foi me ajudando'.

Leia abaixo trechos da entrevista:

Latino está lançando um novo clipe, gravado durante a quarentena Imagem: Divulgação Leo Dias - Nesta situação de quarentena, neste isolamento que o país está vivendo, o Latino resolveu fazer um clipe. Eu queria que você contasse para a gente que clipe é esse que você está lançando, como e de que maneira ele foi feito?

Latino - Começou essa história de quarentena, e a gente ficou na dúvida se ficaria em São Paulo, se ficaria no Rio ou se ia para algum lugar, para poder meio que esquecer desse problema. Aí, a minha tia Graça tinha recém-chegado da Itália. Ela me falou: 'Preto, vai você na frente. Porque acabei de chegar, vou fazer mala ainda, vou demorar'. Aí eu reuni a dra. Rafaella, que hoje é minha mulher...

Sua mulher? Já?

É, minha mulher ué! [risos] Aí, a gente decidiu passar o início dessa quarentena toda em Angra. Quando a gente chegou, teve a infelicidade de receber a notícia da tia Graça, dizendo que ela estava com gripe, resfriada, com coriza e que estava com suspeita dessa tal Covid-19, que na época ainda era um negócio novo. E aí começou aquela história de ficar isolado dentro de casa. Em respeito à sociedade, nós ficamos todos isolados lá em Angra. Todo o mundo triste, chateado, sem saber o que fazer. Até que falei: 'Gente, estou para lançar uma música louca e revolucionária. Podia adiantar o processo, para a gente ter o que fazer e criar umas brincadeiras, umas danças e tal. Para a gente poder aproveitar essa casa maravilhosa de Angra. Aí, a doutora Rafaella falou: 'Por que a gente não grava o clipe aqui?'. E começamos a fazer o roteiro. Assim, todo o mundo dando ideia. Nasceu o roteiro mais louco, mais doido das galáxias.

E foi filmado como?

Com telefone celular [risos]. O resultado você vai poder conferir no YouTube. Vocês vão dizer que estou maluco, né? Vão querer me internar, mas precisava me reinventar. Como me reinventar? Vamos gravar um clipe! Mas como gravar um clipe? Vamos usar o que a gente tem! Personagens: os amigos. Câmera: o celular. Roteiro: cabeça. E foi nascendo. Ali pude realmente perceber que o Lalá ficou Lelé, porque a música fala disso..

Lalá é como o Latino é conhecido.

Essa música, por exemplo, você vai entender quando você ouvir, que ela é revolucionária, ela é louca. Traz esse duplo sentido da brincadeira e de uma forma interessante, de uma forma engraçada, de uma forma divertida. E as pessoas vão o tempo todo achar que o Loló é a droguinha, quando na verdade o Loló é um cachorrinho, entendeu? Então criei todo esse roteiro para entreter e para divertir a galera.

Depois da verdinha de Ludmila, agora vem o Loló do Latino.

O nome da música é 'Lili', mas o refrão é: 'O Lalá ficou Lelé, porque a Lili deu o Loló para o Lulu', entendeu?

Latino, queria falar um pouco da sua relação com o sexo. Ouvi relatos de que você já chegou a transar seis, sete vezes em um dia, por causa da compulsão sexual.

Esse é um problema, acredito, com que muitos homens sofrem. Não pensa que é uma coisa boa, isso é um sofrimento, porque a necessidade compulsiva de querer transar é igual a compulsão de cocaína, de droga. Você quer o tempo todo. E aí você não vê cara, não vê coração, não vê sentimento, não vê nada. Você quer transar. Então eu já fui um moleque transante, sim. Isso foi um problema muito sério.

Você foi viciado em sexo?

Viciado real.

Você precisou fazer tratamento?

Durante três ou quatro anos fiz tratamento, até tomava remédio para inibir o tesão, e isso foi me ajudando. E conforme a gente vai ficando mais velho, nosso desempenho realmente acaba dando uma diminuída. A testosterona já abaixa.

Mas você hoje está menos?

Estou muito menos. Não que não goste, óbvio, adoro. Se pudesse, teria pelo menos duas ou três vezes por dia, que acho que isso é o mínimo, né?

Quantas vezes o Latino faliu na vida?

Faliu? Ah, eu fui viciado em corrida de cavalo. Gastei milhões, perdi milhões. Zerei a minha vida, tive que começar do zero. Perdi muito dinheiro. Mas muito, muito mais do que jamais imaginava, sabe? Muito dinheiro. Cheguei a perder todos os bens que tinha, terrenos, casas que tinha alugado.

Tipo um patrimônio de quanto, mais ou menos?

Ah, cara, incalculável, porque tudo o que ganhava no show eu também gastava em corrida de cavalo. Fiquei durante sei lá, três ou quatro anos, no início dos anos 1990 ali. Tudo o que ganhei nos primeiros anos de carreira torrei com corrida de cavalo. Era muito viciado. Fiz dívidas com todos os agiotas do Rio de Janeiro. Aí, quando recuperei, quando comecei a ganhar dinheiro e tal, surgiu o meu relacionamento com a Kelly Key.

Você faliu com a Kelly Key depois?

Fali sim, um pouco, porque abdiquei de repente de fazer as coisas para mim para fazer para ela.

Você investiu nela?

É, e aí acabei focando, canalizando, toda a minha energia naquele momento, na época junto com o Andinho, o Cuca... A gente era um trio, né? E a gente tentava de tudo para empurrar ela. Cara, não me arrependo. Olha o presente que ela me deu, a Suzanna é linda, minha filha maravilhosa. Na época eu fiquei chateado, mas já passou. Eu amava muito ela, quando você é largado, quando você é abandonado, ninguém fica feliz. E de fato ela preferiu uma outra pessoa. Ela foi para a Angola fazer turnê e se apaixonou pelo Mico. Inclusive está com ele até hoje, eu acredito que tenha sido amor de verdade. A gente está sujeito a isso, né?

Mas vocês estavam juntos na época?

Eu estava junto com ela na época. A gente estava brigado, mas a gente estava junto. Inclusive fui buscá-la no aeroporto com a minha filha e lembro dessa cena: assim que ela olhou para a minha cara, pegou a Suzanna no colo e falou 'Vai lá para casa amanhã ou depois para a gente conversar'. Mas com um olhar muito frio. E eu percebo as coisas, sou muito sensitivo. E nesse dia percebi no olhar dela que ela estava muito fria.

O cantor revelou que perdeu muito dinheiro por causa do vício em apostas em corrida de cavalos Imagem: Divulgação

Quer dizer, ela voltou de Angola já diferente e ali já encerrou o relacionamento.

Sim, ela voltou de Angola diferente e já apaixonada pelo Mico. Normal, eu que tive dificuldade de digerir isso, de entender. Fica aquela coisa de 'poxa ajudei a menina, ralei, trabalhei e agora fui abandonado', aquela coisa de homem escornado. Mas, cara, tive dificuldade de entender isso na época. Hoje [estou] super de boa, eu guardo zero mágoa, zero rancor, muito pelo contrário. Eu acho que a mídia de certa forma até atrapalha a nossa convivência. Para alguns órgãos de imprensa você faz uma declaração, aí eles vão lá, distorcem a coisa e acaba ficando chato para mim e chato para ela, então a gente acaba não se bicando.

Qual foi o grande amor da vida de Latino?

O melhor amor de todos é o atual.

Não, qual foi o grande amor? Não fuja da raia, Latino.

Ai, meu Deus. Cara, tive momentos incríveis com todas elas. Aprendi muito com todas elas, todas foram muito especiais na minha vida. Aprendi muito com a Mirella, eu me divertia muito com ela.

Até o dia em que ela descobriu que você tinha dado um carro para sua bailarina, que ela atirou a mesa em cima de você dentro da piscina e atirou todos os móveis dentro da piscina, lembra?

Oh Leo, então... Está vendo como são as coisas? A mídia distorce as coisas, a menina era uma funcionária minha.

Mas você deu um carro para ela, Latino.

Calma, não foi isso, não. Ela pediu um adiantamento. Ela tinha uma reserva e pediu um adiantamento para ajudar a comprar um carro. Aí ela obviamente espalhou isso para umas amigas dela e isso chegou no ouvido da Mirella, que eu tinha dado um carro para ela.

Acho que você não lida muito bem com a questão do envelhecer né?

Não [risos].

Quantos anos de fato você tem, Latino?

Alguns, Leo, alguns.

Você não revela a sua idade, né?

Não revelo, porque, de fato, quando fui para os Estados Unidos... Vou contar aqui uma coisa bem segredo para vocês. Quando fui para os Estados Unidos, na época para fazer o high school [ensino médio], a idade que eu tinha não permitia a minha ida para lá e fui ilegalmente. Então, tive que falsificar uma série de documentos para facilitar a minha entrada nos Estados Unidos.

Você foi extraditado, não foi?

Fui extraditado.

Você foi extraditado por quê? Conta.

Porque eu fiz merda na América.

Posso contar? Melhor não né? Eu conto ou você conta?

Ah, você quer contar, conta aí então.

Você roubou uns carros lá, né?

Roubei um carro, roubei vários carros. Eu não roubava carro para vender as peças, isso que é importante dizer. Eu fazia aquelas conexões, eu e um amigo que me ensinou a fazer as conexões nos carros, conectar os fios para fazer o carro funcionar. A gente não tinha carro, a gente era muito ferrado, e a gente queria pegar mulherada, a gente queria sair, ir para a balada. Então a gente roubava o carro só para chegar de carrão na balada, curtir o momento e depois deixava o carro em algum lugar.

Agora está explicado, agora eu entendi a sua explicação. É muito louvável roubar carro.

Não, meu, eu era garoto, moleque, tinha zero condições de ter carro e, quando eu aprendi a fazer as conexões, para dar o start no carro... Na verdade meu amigo que fazia isso, eu participava, eu estava junto com ele, não tem jeito. Até que um dia, em um final de semana, a gente foi pego e descobriram que eu estava com a documentação ilegal. Aí me mandaram de volta.

Olha, você aí, leitor do UOL, pode perceber que a vida deste senhor, do senhor Roberto, dá um livro, dá um filme, é muita história. A gente tentou relatar aqui essas histórias.

Queria abrir aqui um espaço inclusive, para mandar um beijo para a Suzanna, minha filha, porque ela ficou muito chateada com esses comentários que tiveram agora há pouco tempo em relação ao nosso relacionamento. Eu queria dizer para quem tem dúvida: a gente se relaciona muito bem, a gente está sempre junto. Ela, hoje mais do que nunca, sempre tem procurado o pai. Ela não tirou meu nome da identidade dela, ela somou.

Só colocou o sobrenome do Mico [Freitas], né?

A gente hoje tem um relacionamento maravilhoso. As pessoas às vezes ficam perturbando, criando intriga, e ela sempre acaba absorvendo isso, porque é mais jovem. Eu falo para ela: para de ficar lendo os comentários.

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Procurada para comentar as colocações de Latino sobre ela, Kelly Key não quis falar.