Sob sol forte, máquinas rompem silêncio do campo para colher soja em MS

Com plantios irregulares por falta de chuva em setembro, colheita ainda está no começo, mas já mudou o cenário no meio rural

| CAMPO GRANDE NEWS / HELIO DE FREITAS, DE DOURADOS


Com sensação térmica de quase 40 graus nesta segunda às 14h, máquinas levantam poeira colhendo soja no município de Dourados (Foto: Helio de Freitas)

A colheita das 9,9 milhões de toneladas de soja previstas para a safra 2019/2020 já começou em Mato Grosso do Sul. O ritmo ainda é lento, com pouco mais de 3% dos 3,1 milhões de hectares plantados nesta safra colhidos até o fim de semana. Entretanto, o momento de maior trabalho na agricultura já mudou o cenário do campo, apesar de boa parte das lavouras ainda estar com as folhas verdes devido a plantio mais tardio que o normal em função da falta de chuva, em setembro.

O Campo Grande News percorreu lavouras em fase de colheita nas regiões de Maracaju, Dourados e Rio Brilhante. Assim como ocorre em outras áreas produtoras, já é grande o movimento de caminhões nas estradas, de caminhonetes nas cidades e de colheitadeiras rompendo o silêncio do campo e levantando nuvem de pó com a retirada de grãos dos pés secos de soja.

Estimativa da Aprosoja e Sistema Famasul aponta para quebra de todos os recordes de produção em Mato Grosso do Sul na safra que está sendo colhida agora. A projeção de 9,9 milhões de toneladas é 12,5% maior que o volume colhido ano passado. Em 2019, as entidades representativas do setor acreditavam em produção acima de dez milhões de toneladas, mas as variações climáticas frustraram a expectativa.

A área plantada também aumentou: de 2,9 milhões para 3,1 milhões de hectares em comparação à safra anterior, aumento de 6,18%. Os produtores afirmam que o crescimento ocorre em áreas de pastagens degradas e a produtividade média esperada é de 52,19 sacas por hectare – acima dos 48,1 sacas/hectare do ano passado, mas bem longe dos 59,1 sacas por hectare na safra 2017/2018.

O campeão – Independente do resultado da safra estadual, uma realidade não muda tão cedo. Mais uma vez Maracaju será o maior produtor de soja, como ocorre há vários anos. Em 2019, o município colheu 817,7 mil toneladas, responsável por quase 10% da produção total sul-mato-grossense.

Em Maracaju, a movimentação de colheitadeiras, caminhões para transportar a soja colhida e tratores para o plantio do milho chega a impressionar quem passa pelas estradas que cortam o município.

Juares Sanches é um dos agricultores tradicionais de Maracaju. “Começamos a colheita nas primeiras lavouras plantadas, com média foi de 60 sacas por hectare. Acreditamos que nas lavouras plantadas mais tarde, a produtividade será maior', afirmou ele.

Veja o vídeo com imagens da colheita de soja em Maracaju e a entrevista com Juares Sanches:

Dourados - No município de Dourados, quarto maior produtor de soja de Mato Grosso do Sul com 526,6 mil toneladas colhidas no ano passado, a colheita ainda está devagar e os primeiros números não são animadores. A maioria dos agricultores atrasou o plantio no ano passado esperando a chuva. Por isso muitas lavouras ainda estão com as folhas verdes e só devem ser colhidas em meados de março.

“Aqui na região sul vamos ter três épocas de colheita por causa do regime de chuvas no momento do plantio. A primeira soja que teve muito problema com a seca na fase inicial está sendo muito ruim, com produção de 25 a 30 sacas por hectare, chegando a 50 sacas/hectare em algumas áreas. Daqui sete, oito dias, recomeça a colheita e essa sim com expectativa boa de produção cima de 50 sacas por hectare', afirmou ao Campo Grande News o presidente do GPP (Grupo de Plantio na Palha) e diretor do Sindicato Rural de Dourados, Michael Araujo de Oliveira.

“A colheita aquece o mercado de trabalho e de serviços. Muita gente trabalhando nessa época. Caminhões, os silos, empresas de assistência técnica, comércio de óleo diesel, de peças, mecânicas, mão de obra temporária. Temos expectativa grande porque movimenta a economia', avaliou.

Michael afirma que a soja é a principal safra da região sul e tem impacto considerável na economia estadual. “Prova disso foi a vinda de uma das maiores indústrias esmagadora de soja e fabricante de óleo do mundo, que é a Coamo. Além disso, há outras grandes empresas, inclusive chinesas, se instalando na região de Maracaju'.

Ponta Porã – Terceiro maior produtor de soja no ano passado, com 621,5 mil toneladas, Ponta Porã também já começou a colher a safra 2019/2020. Entre os destaques de produção no município da fronteira está a Fazenda Jotabasso, que iniciou a colheita na semana passada. O primeiro talhão colhido na unidade de Ponta Porã, plantado sob irrigação, teve produtividade de 82,7 sacas por hectare de uma variedade de soja não-transgênica de alto potencial produtivo.

Em termos de volume de sementes de soja – principal produto da empresa – a expectativa da Jotabasso é aumentar a produção em mais de 25% em relação ao ano passado.

Preço da soja – Conforme o mais recente boletim da Famasul sobre o acompanhamento da safra, a colheita neste ano está quase 30% menor que o volume colhido até 7 de fevereiro de 2019.  Segundo o levantamento, o preço médio da saca de 60 quilos teve ligeira valorização de 0,51% no período de 3 a 10 de fevereiro, encerrando o período cotada a R$ 73,88. Ponta Porã registrou a maior valorização, com a saca cotada a R$ 74,50. O preço médio do mês é 11,35% superior à cotação do mesmo mês do ano passado. ( Colaborou Hosana de Lourdes, de Maracaju)