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13 de Setembro de 2017 às 14h01min
80% não sabem que têm glaucoma e podem ficar cegos, alerta oftalmologista
Especialista Guilherme Aprigliano Bonini explica que a doença de modo geral evolui lentamente com a perda progressiva de visão periférica
Valéria Araújo - Douradosagora

Médico oftalmologista Guilherme Aprigliano Bonini

Grave problema de saúde pública no Brasil, o Glaucoma já atinge 1,2 milhão de pessoas, sendo que 80% delas não sabem que têm a doença, que é silenciosa na maioria dos casos. A estimativa é do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, que estima ainda, conforme dados do último Censo, que 582 mil pessoas não podem mais enxergar no País. A doença é apontada como a principal causa de cegueira no mundo, afetando 60 milhões de pessoas.

Apesar disso, o desconhecimento a respeito do Glaucoma ainda é grande. Em março passado, o grupo farmacêutico suíço Novartis publicou uma pesquisa mundial que apresentou dados alarmantes: 85% da população têm medo de perder a visão; 87% dos entrevistados acredita que os exames oftalmológicos regulares são importantes, no entanto, mas apenas 33% afirma visitar o oftalmologista anualmente. Outra pesquisa, do Ibope, feita em 2013, declarava que 1/3 dos brasileiros até os 16 anos nunca foi a um oftalmologista.

Por ser uma doença que não apresenta sintomas, o portador corre risco de que ela se agrave e, conseqüentemente, resulte na perda total de visão. Felizmente, se descoberta no estágio inicial, pode ser controlada.

Em Dourados, o médico oftalmologista Guilherme Aprigliano Bonini explica que a doença de modo geral evolui lentamente com a perda progressiva de visão periférica, que muitas vezes só será percebida em estágio já muito avançado, podendo, se não controlada, evoluir para perda total da visão. Ele destaca a importância da avaliação regular com o médico oftalmologista, sendo que este profissional é o único apto para examinar os olhos, diagnosticar e acompanhar o controle do glaucoma.

O que caracteriza essa doença chamada glaucoma?

O glaucoma é uma patologia ocular que acomete o nervo óptico ( neuropatia óptica), evoluindo com perda progressiva de campo visual podendo chegar a cegueira total (irreversível). Na maioria dos casos ocorre devido a um aumento da pressão intraocular elevada, mas pode ocorrer em casos de pressão intraocular normal.

Por que ocorre esse aumento de pressão dentro da câmara anterior do olho?

O aumento da pressão intraocular pode ter várias causas envolvidas. A pressão intraocular é determinada pelo humor aquoso (liquido que preenche todo o segmento anterior). O aumento da pressão intraocular quase sempre está relacionado com um defeito na drenagem do humor aquoso, este por causas primárias ou secundárias.

Quais são os primeiros sintomas da doença?

Este é o grande problema do glaucoma. Quase sempre ele é assintomático, ou seja, silencioso, sem demonstrar sintomas iniciais. Os sintomas mais comuns podem ser a perda de campo de visão periférica (lateral) e em alguns casos, pacientes se queixam de cefaléia (dor de cabeça).

O olho que começa a lacrimejar pode ser sinal de glaucoma como muita gente acha?

No adulto o glaucoma não apresenta o lacrimejamenrto como sinal, mas este é um importantíssimo sinal em glaucomas congênitos verdadeiros (intrauterinos).

Em que faixa de idade o glaucoma aparece com mais frequência? Qual o perfil dos pacientes?

Em sua grande maioria, o mais comum é o Glaucoma Primário de Ângulo Aberto, também chamado de Glaucoma Comum ou Glaucoma Crônico Simples. Acomete principalmente pacientes idosos, tendo a idade como principal fator de risco.

Acomete cerca de 1% da população aos 40 anos chegando a 4,5% em média após os 60 anos, ou seja a idade é um importante fator de risco.

Outros fatores de risco para glaucoma em geral envolvem a história familiar de glaucoma (hereditariedade), pacientes negros, asiáticos, Diabetes Mellitus, Miopia, uso de corticóide tópico (colírio), história de trauma ocular, uveítes (inflamação intraocular por diferentes causas).

Crianças podem ter glaucoma?

Sim, existe também o chamado glaucoma congênito, por malformação na malha trabecular (principal estrutura responsável pela drenagem do humor aquoso). Existe o glaucoma congênito verdadeiro, em que o acometimento já aparece no feto (desenvolvimento intrauterino, e os sinais já são evidentes no recém nascido no parto. Há também o glaucoma infantil, e o juvenil, ambos considerados também congênitos, porém todos muito raros.

Qual é a evolução mais comum do glaucoma?

A doença de modo geral evolui lentamente com a perda progressiva de visão periférica, que muitas vezes só será percebida em estágio já muito avançado, podendo, se não controlada, evoluir para perda total da visão. Sendo assim, é extremamente importante a avaliação regular com o Médico Oftalmologista, sendo que este profissional é o único apto para examinar os olhos e diagnosticar e acompanhar o controle do glaucoma.
Em seu consultório, como está a incidência de pessoas com glaucoma? Tem aumentado? Na verdade a incidência tem sido a mesma dos estudos publicados, em média de 0,5 a 1% dos idosos e assim vem se mantendo.

Como é feito o diagnóstico? E após essa etapa qual a conduta indicada para esses pacientes?

O diagnóstico do glaucoma é bem complexo e visa comprovar a lesão do nervo óptico apresentada pela chamada escavação do mesmo e a perda de campo visual comprovando a morte de fibras nervosas. Há vários exames necessários para análise do nervo óptico, perda progressiva da visão, drenagem do humor aquoso e a medida da pressão intraocular, entre eles a fundoscopia, o campo visual, a tomografia de coerência óptica, a tonometria, a paquimetria, a gonioscopia, entre outros vários exames imprescindíveis para o diagnóstico e acompanhamento do glaucoma. Através dos resultados desses vários exames é que se chegará ao diagnóstico preciso e assim poderemos escolher a melhor opção para o controle específico para aquele paciente, visto que há diferentes tipos de glaucoma e diferentes perfis de pacientes.

Os colírios devem ser usados pela vida toda ou, depois de algum tempo, o tratamento pode ser interrompido?

De modo geral o uso do colírio antiglaucomatoso é para toda a vida, pois o glaucoma não tem cura e sim controle. Além do uso contínuo do colírio e extremamente importante o acompanhamento com o Médico Oftalmologista.

O uso incorreto dos colírios pode causar glaucoma?

Sim, há situações em que o uso incorreto de colírios pode provocar o aumento da pressão intraocular e, consequentemente, provocar o glaucoma. Existe descrito na literatura médica casos de pacientes que, por uma predisposição genética, evoluem com aumento de pressão intraocular com o uso prolongado de colírios de corticóide.

Existem alguns mitos a respeito do glaucoma. Fala-se que não se deve levantar peso nem fazer força, pentear os cabelos e que o consumo de alguns alimentos é contraindicado. O que há de verdade nessas crenças populares?

Na verdade o paciente com glaucoma controlado pode levar uma vida normal, não tendo nenhuma comprovação científica que exercício ou alimentação interfira na pressão intraocular.

Que outros fatores podem aumentar a pressão intraocular?

Como já citamos, a idade é o principal fator de risco relacionado a pré-disposição genética. Há casos de fatores secundários como Diabetes Mellitus, trauma ocular, uveítes entre outras patologias.

Além da cortisona e seus derivados, existem outros medicamentos que podem agravar quadros pré-existentes de glaucoma?

No caso do glaucoma do ângulo aberto, a maioria dos medicamentos tem pouca influência. No caso do glaucoma do ângulo estreito, que é o ângulo da câmara anterior, a dilatação da pupila estreita mais ainda esse ângulo e a drenagem do humor aquoso fica difícil. Medicamentos que agem no sistema nervoso autônomo podem fazer com que a pupila se dilate comprometendo o escoamento do humor aquoso. Por exemplo: de modo geral, os antiespasmódicos contêm uma substância que pode causar pequena dilatação da pupila e, dependendo da anatomia do olho, elevar sua pressão interna por retenção do humor aquoso.

Há como evitar a instalação do glaucoma?

Tendo o glaucoma como principal causa o fator genético não há como evitar a instalação do mesmo mas há como controlar sua progressão através do acompanhamento com o Oftalmologista, por isso, é de extrema importância consultas regulares preventivas.

Com que frequência devem ser feitos esses controles? De modo geral, recomendamos uma vez ao ano. Para os pacientes que apresentam algum fator de risco ou uma pressão intraocular não controlada o acompanhamento precisa ser mais frequente.

Como prevenir a doença? Existe cura?

Não há prevenção ou cura, por isso é extremamente importante a avaliação periódica com o Médico Oftalmologista.

A cirurgia deve ocorrer somente em ultimo caso?

Sim, pois o ato cirúrgico sempre implica em fatores de risco em muitos casos não trazem o resultado esperado e no caso do glaucoma dispomos de excelentes medicações para um bom controle clínico da doença.

Você acha que os médicos estão preparados para fazer o diagnóstico nas fases iniciais da doença?

Por se tratar de uma doença ocular bem específica, sem sintomas, com risco de cegueira total e irreversível, somente o Médico Oftalmologista está preparado para o diagnóstico e acompanhamento terapêutico do glaucoma.

Quais as demais outras doenças da visão que causam cegueira? O glaucoma é a principal delas?

Há inúmeras doenças oculares e doenças sistêmicas que podem evoluir com a cegueira. Alguns casos reversíveis e alguns irreversíveis, como o glaucoma. O glaucoma está entre as principais causas de cegueira irreversível, junto com a Degeneração Macular Relacionada a Idade e a Retinopatia Diabética.

A cegueira em pessoas idosas, ou não, que sofrem com Diabetes e Glaucoma pode ser reversível?

De um modo geral, nesses casos a cegueira visual é irreversível pois há dano na retina ou nevo óptico e estes são compostos por neurônios e ainda não há nenhum tratamento eficaz, cientificamente comprovado, que apresente regeneração de neurônios na retina ou no nervo óptico.


 
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